A Ascensão das Stablecoins: Pontes Digitais na Nova Era dos Pagamentos Brasileiros
A decisão do Banco Central de reorientar o Drex para uma infraestrutura de ativos tokenizados, sem uma moeda digital própria, impulsionou o uso de stablecoins para liquidação. Essas moedas digitais, que já representam 80% do volume de criptoativos no Brasil, estão transitando de ferramentas de especulação para infraestrutura de pagamentos, especialmente em operações internacionais, sinalizando uma transformação na eficiência financeira.
A reorientação estratégica do Banco Central brasileiro em relação ao Drex, afastando-se da concepção de uma moeda digital de varejo para focar em uma infraestrutura de ativos programáveis e contratos inteligentes, marcou um ponto de inflexão no mercado de tokenização. Embora esta decisão mantenha o Brasil na vanguarda da inovação financeira, ela criou um vácuo operacional: a necessidade de um meio eficiente para liquidar ativos tokenizados dentro dessa nova rede digital. É nesse cenário que as stablecoins emergem como uma solução robusta e cada vez mais relevante.
Essas moedas digitais, cujo valor é atrelado a ativos estáveis como moedas fiduciárias, têm demonstrado um crescimento exponencial no Brasil. Dados recentes revelam que as stablecoins já respondem por aproximadamente 80% do volume de criptoativos declarados pelos brasileiros à Receita Federal. O volume transacionado entre 2019 e o final de 2025 atingiu a impressionante marca de R$ 1,13 trilhão, com o USDT da Tether dominando quase 89% desse montante. Essa penetração sublinha não apenas a aceitação, mas a confiança crescente do mercado nesses ativos digitais como um pilar para a liquidação.
O perfil de uso das stablecoins está em profunda transformação. Historicamente associadas à especulação e ao trading de criptoativos, elas estão agora sendo redefinidas como uma infraestrutura vital para pagamentos, especialmente em transações transfronteiriças. Conforme observado por Larissa Moreira, gerente de produtos de digital assets do Itaú Unibanco, “As stablecoins eram pares de trade e casos de uso focados em especulação. Não são mais.” Essa mudança alinha-se a uma tendência macroeconômica global de busca por maior eficiência e redução de custos em pagamentos internacionais, um objetivo prioritário para diversas economias e instituições financeiras. A facilidade e a velocidade que as stablecoins oferecem para remessas e liquidações internacionais representam um avanço significativo na gestão de caixa e na fluidez do comércio global, preenchendo a lacuna deixada pela ausência de uma representação nativa do real no ecossistema tokenizado.
A transição do uso especulativo para o operacional reforça o papel fundamental das stablecoins como catalisadores da economia digital. Elas não apenas facilitam a liquidação de ativos tokenizados, mas também impulsionam a adoção mais ampla de ativos do mundo real (RWA) na blockchain, solidificando as bases para um futuro financeiro mais interconectado e programável. Este movimento sinaliza uma maturidade crescente do mercado de criptoativos, com foco em aplicações práticas que geram valor econômico tangível.
Fonte original: Valor Econômico
Fonte: Valor Econômico