A Desdolarização como Tendência Estrutural: Implicações para Ouro e Mercados Globais
O UBS avalia a desvalorização do dólar como uma tendência estrutural impulsionada por questões fiscais e diversificação de reservas. Nesse cenário, o ouro é o principal beneficiário, com projeção de US$ 5.400/onça, apoiado por bancos centrais e ETFs. Commodities e moedas selecionadas também se beneficiam, embora tensões geopolíticas possam gerar suporte temporário ao dólar.
O cenário financeiro global testemunha uma reavaliação do papel do dólar americano. O banco de investimento suíço UBS posiciona a desvalorização da moeda dos EUA como uma tendência estrutural de longo prazo, e não meramente cíclica. Essa perspectiva sugere um realinhamento significativo nos fluxos de capital e na composição de reservas, impulsionado por preocupações fiscais nos Estados Unidos, incertezas na política comercial e uma busca crescente por diversificação por parte de bancos centrais.
Nesse contexto de desvalorização gradual do dólar, o ouro emerge como o principal beneficiário. O UBS projeta que o metal precioso possa alcançar US$ 5.400 por onça nos próximos doze meses, um aumento notável impulsionado por múltiplos fatores. Entre eles, destacam-se a retomada dos aportes em ETFs de ouro, a contínua e robusta demanda por parte de bancos centrais – como evidenciado pela recente aquisição de 20 toneladas métricas pelo Banco Popular da China – e a expectativa de que os mercados reduzam as apostas em novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. O ouro, tradicionalmente um ativo de refúgio, reforça seu status em um ambiente de incerteza fiscal e monetária.
A análise do UBS estende-se além do ouro, indicando que a tendência de desdolarização favorece também uma exposição ampla a commodities. A demanda por petróleo é impulsionada pelo crescimento robusto em mercados emergentes, enquanto os metais industriais se beneficiam da expansão da eletrificação, da transição energética e da infraestrutura necessária para a inteligência artificial. Adicionalmente, potenciais interrupções na oferta agrícola, relacionadas a fenômenos como o El Niño, podem sustentar os preços. No mercado de câmbio, a estratégia seletiva do banco prioriza moedas como a libra esterlina, a coroa norueguesa, o dólar neozelandês e o yuan, em vez de uma aposta generalizada contra o dólar.
Contudo, o percurso da depreciação do dólar não é isento de obstáculos de curto prazo. O UBS aponta que tensões geopolíticas no Oriente Médio e a consequente elevação dos preços do petróleo podem oferecer um suporte temporário à moeda americana. Esses fatores podem gerar volatilidade, mas não alteram a tese de desvalorização gradual no médio a longo prazo. A visão é de uma transformação fundamental nos mercados, onde a desdolarização é uma força estrutural para se construir estratégias de investimento, e não apenas uma oportunidade de negociação tática. Fonte original: ForexLive (InvestingLive)
Fonte: ForexLive (InvestingLive)