A Exclusão Econômica Feminina Como Fator de Estrangulamento do Crescimento na Gâmbia

A Gâmbia enfrenta constrangimentos ao seu crescimento econômico associados à baixa participação feminina no mercado de trabalho e a vulnerabilidades nas finanças públicas. Análises de desenvolvimento apontam que a integração econômica de mulheres ampliaria a base tributária e expandiria o potencial produtivo nacional, sendo necessárias reformas simultâneas em políticas de gênero e gestão fiscal.

Instituições multilaterais de desenvolvimento têm identificado um padrão recorrente em economias em transição: a subutilização do potencial produtivo feminino funciona como mecanismo de contenção do crescimento agregado. No caso específico da Gâmbia, análises recentes apontam que a persistência de barreiras à participação econômica das mulheres representa um obstáculo mensurável ao desempenho macroeconômico do país. Quando segmentos populacionais significativos enfrentam restrições estruturais ao acesso a oportunidades de trabalho e empreendedorismo, o resultado é uma contração na base tributária e menor dinamismo nos setores produtivos, fenômeno que ressoa em contextos similares ao longo do continente africano.

Paralelamente à questão de gênero, diagnósticos sobre a situação fiscal gambiana revelam vulnerabilidades na sustentabilidade das finanças públicas. A capacidade de um Estado em financiar infraestrutura, educação e saúde depende fundamentalmente da arrecadação de receitas e da eficiência alocativa dos gastos. Quando esses dois fatores—limitação de base econômica e constrangimentos orçamentários—interagem, criam-se ciclos de baixa acumulação de capital humano, reduzindo ainda mais o potencial de expansão econômica de longo prazo. Trata-se de uma dinâmica de realimentação negativa que múltiplos estudos econômicos documentam como particularmente desafiadora para recuperação.

A integração de mulheres na força de trabalho formal e em atividades de maior valor agregado não representa apenas uma questão de alocação eficiente de recursos humanos—embora esse aspecto seja central. Sob uma perspectiva macroeconômica, a ampliação da participação feminina expande o mercado doméstico, incrementa a demanda agregada, diversifica a base produtiva e fortalece os fluxos de arrecadação fiscal. Economias que implementaram reformas institucionais direcionadas a remover barreiras discriminatórias documentaram aumentos mensuráveis em taxas de crescimento do PIB, elasticidade do emprego e resilência a choques econômicos externos.

As recomendações emanadas por organismos internacionais de desenvolvimento convergem para um diagnóstico de que intervenções simultâneas em dois eixos mostram-se necessárias: primeiro, políticas que removam fricções regulatórias e sociais impedindo acesso feminino a mercados de trabalho, crédito e propriedade; segundo, reformas estruturais nas receitas e despesas públicas que restaurem espaço fiscal para investimentos transformadores. Sem esses ajustes coordenados, economias como a da Gâmbia correm risco de que suas trajetórias de desenvolvimento permaneçam prisioneiras de equilíbrios de baixo crescimento, comprometendo objetivos de redução de pobreza e estabilidade macroeconômica de médio prazo.

Fonte original: AllAfrica Business

Fonte: AllAfrica Business