BoE deve elevar juros em novembro com inflação acima de 4% impulsionada por energia, projeta MUFG
O Bank of England (BoE) é esperado para elevar sua taxa básica em 25 pontos-base na próxima reunião de novembro, com uma nova alta em fevereiro, devido à inflação impulsionada pelos custos de energia. A resiliência da economia do Reino Unido e um mercado de trabalho estável reforçam a necessidade de aperto monetário, apesar das preocupações fiscais.
O que aconteceu
O Bank of England (BoE) deverá elevar sua taxa básica de juros em 25 pontos-base na reunião de 5 de novembro, com uma nova alta em fevereiro, levando a taxa a um pico de 4,25%. Essa é a projeção do MUFG, que aponta o choque de energia como o principal fator, empurrando a inflação do Reino Unido para acima de 4% nos próximos meses. Os preços da energia permaneceram elevados por mais tempo do que o esperado e subiram ainda mais recentemente, impactando as contas das famílias. A economia do Reino Unido tem demonstrado resiliência, com dados de atividade surpreendendo positivamente e o PIB do terceiro trimestre acompanhando um crescimento de cerca de 0,65% na comparação trimestral. O mercado de trabalho está se estabilizando, o crescimento é saudável e a inflação subjacente permanece elevada, com a inflação de serviços bem acima da meta de 2% do BoE. O MUFG projeta um crescimento de 1,5% em 2026 e 1,4% em 2027, superando as projeções do FMI.
Por que importa
A expectativa de um aperto monetário adicional pelo BoE é crucial para a política econômica do Reino Unido. A persistência da inflação, especialmente a impulsionada por custos de energia, força o banco central a agir, mesmo em um cenário de custos de empréstimo mais altos que já reduziram a margem fiscal do governo para cerca de £15 bilhões antes do Orçamento. A força da economia, apesar dos ventos contrários da energia, dá ao BoE menos espaço para 'ignorar' o choque inflacionário. A adoção comparativamente rápida da inteligência artificial no Reino Unido é citada como um possível fator por trás dos recentes ganhos de produtividade, o que pode sustentar o crescimento, mas também manter a pressão inflacionária em alguns setores.
Impacto nos mercados
- Juros e títulos: Os gilts (títulos do governo britânico) são vistos como o ativo mais vulnerável. Os rendimentos dos títulos de 10 anos do Reino Unido já estão entre os mais altos do G7. Um aperto monetário adicional, juntamente com a redução da margem fiscal antes do Orçamento, pode manter a pressão sobre a dívida de longo prazo, levando a um aumento nos yields.
- Dólar e câmbio: A libra esterlina (GBP) tende a ser suportada por uma elevação da taxa de juros, especialmente contra moedas de países onde os bancos centrais são percebidos como mais lentos para responder à inflação. Um ciclo de aperto mais longo, se os preços de energia continuarem a subir, fortaleceria ainda mais a libra.
- Bolsas: Taxas de juros mais altas e custos de energia elevados pesam sobre as ações de empresas focadas no mercado doméstico do Reino Unido. No entanto, o FTSE 100, que possui uma forte representação de empresas de energia, pode ter algum amortecimento, já que essas companhias se beneficiam de preços de energia mais altos.
- Commodities: Petróleo e gás permanecem como um fator chave. Um novo aumento nos preços, especialmente ligado à guerra no Oriente Médio, fortaleceria o argumento para um ciclo de alta de juros mais prolongado, dado que as contas de energia das famílias são o principal motor da inflação esperada.
- Brasil: Indiretamente, um aperto monetário no Reino Unido contribui para um cenário global de juros mais altos, o que pode aumentar a aversão ao risco e pressionar moedas emergentes como o real, além de impactar o fluxo de capital para mercados como o brasileiro.
O que acompanhar
Os próximos dados de inflação e do mercado de trabalho do Reino Unido serão cruciais para confirmar ou invalidar as expectativas de aperto do BoE. A decisão de política monetária do BoE em 5 de novembro será o evento mais imediato a ser observado, com atenção especial à comunicação e a qualquer orientação sobre futuras elevações. O Orçamento do Reino Unido também será importante para avaliar a resposta fiscal do governo aos custos de empréstimo mais altos e ao apoio às famílias.
Cenários
Cenário base: BoE eleva a taxa em novembro e novamente em fevereiro, atingindo 4,25%, com a economia mostrando resiliência, mas a inflação permanecendo elevada devido aos custos de energia. A libra se fortalece, e os rendimentos dos gilts sobem. Cenário de risco: Uma desaceleração econômica mais acentuada do que o esperado ou uma queda significativa nos preços da energia poderia levar o BoE a adotar uma postura menos agressiva, aliviando a pressão sobre os gilts e potencialmente enfraquecendo a libra. Por outro lado, um agravamento da crise energética ou da guerra no Oriente Médio poderia forçar um ciclo de aperto ainda mais longo.
Fonte original: ForexLive (InvestingLive). Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
Fonte: ForexLive (InvestingLive)