Brasil Reposiciona-se no Mercado Global de Urânio com Abertura Estratégica

O Brasil avança na abertura do setor de mineração de urânio à iniciativa privada, visando aumentar sua produção e garantir autossuficiência para as usinas nucleares de Angra 1, 2 e 3. A iniciativa envolve parcerias com a estatal INB, estruturação de modelos pelo BNDES e um grupo de trabalho para mapear reservas, com o objetivo de posicionar o país no mercado global de energia nuclear.

O Brasil sinaliza um movimento estratégico para ampliar sua participação na cadeia global de urânio, um mineral crucial para a geração de energia nuclear. Em um cenário mundial que busca maior segurança energética e descarbonização, a energia nuclear ganha relevância, e com ela, a demanda por seu combustível. A recente articulação do governo brasileiro para permitir a entrada da iniciativa privada na mineração de urânio, anteriormente um monopólio da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), reflete essa tendência, buscando otimizar o vasto potencial de suas reservas.

A legislação de 2022, que pavimentou o caminho para parcerias público-privadas, ainda aguarda regulamentação, mas já delineia um modelo onde a INB manteria uma participação mínima de 20% nos consórcios. A estruturação desses arranjos está em andamento, com um contrato assinado entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) e a INB para desenvolver os modelos de colaboração em cinco áreas de mineração estratégicas. Paralelamente, um grupo de trabalho coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) foi estabelecido para mapear e propor estratégias de exploração, com um prazo de 90 dias para apresentar suas conclusões.

Atualmente, a produção doméstica, concentrada na Mina do Engenho (Caetité, BA), é de 260 toneladas anuais, insuficiente para as usinas de Angra 1 e 2. A capacidade de beneficiamento da Unidade de Concentração de Urânio (URA) em Caetité alcança 400 toneladas por ano. A meta da INB é elevar essa capacidade para 800 toneladas anuais, volume que atenderia não apenas Angra 1 e 2, mas também a futura Angra 3. Projetos como o consórcio Santa Quitéria (CE), uma parceria da INB com a mineradora Galvani para extração conjunta de fosfato e urânio, exemplificam essa estratégia, com reservas estimadas em 80 mil toneladas de urânio e previsão de operação nos próximos anos, aguardando licenciamento ambiental. Essa expansão visa não só a autossuficiência, mas também posicionar o Brasil como um potencial exportador, diversificando sua matriz energética e atraindo investimentos significativos para o setor de mineração e energia.

Fonte original: Valor Econômico

Fonte: Valor Econômico