Coreia do Sul e Japão Unem Forças na Intervenção Cambial
A Coreia do Sul e o Japão podem estar envolvidas em uma intervenção cambial coordenada para valorizar o won sul-coreano, um movimento que reflete preocupações com o déficit comercial dos Estados Unidos. A valorização da moeda local está sendo impulsionada por exportações de semicondutores e ações recentes do Japão.
Nas últimas semanas, o won sul-coreano atingiu um patamar de valorização inesperado frente ao dólar americano. A moeda local passou a ser negociada em seu nível mais forte desde outubro do ano passado, com uma valorização de cerca de 7% no mês de julho. Este movimento levanta dúvidas sobre intervenções cambiais coordenadas entre Seul e Tóquio, especialmente diante das preocupações dos Estados Unidos com o aumento do déficit comercial relacionado à fraqueza da moeda sul-coreana. De acordo com estimativas recentes, o déficit comercial dos EUA com a Coreia do Sul dobrou em uma década, atingindo US$ 56,4 bilhões no ano passado e reduzindo a um valor menor, mas ainda significativo, de US$ 27,3 bilhões em maio deste ano. Especialistas apontam para o crescimento nas exportações sul-coreanas de semicondutores como fator determinante da valorização do won, impulsionado por uma demanda robusta nos Estados Unidos e outros mercados globais. A fabricação avançada de chips pela SK Hynix, que recentemente abriu sua capitalização na Nasdaq, contribui para este cenário positivo, gerando fluxos significativos de divisas estrangeiras direcionadas à Coreia do Sul. Embora as reservas cambiais da Coreia do Sul sejam limitadas, o apoio conjunto com o Japão pode ser crucial em reforçar a moeda local. Segundo Yuji Saito, consultor executivo da SBI FX Trade, 'a coordenação entre os dois países poderia aumentar a eficácia das intervenções'. Takahiro Hori, economista do Mizuho Bank, destaca que o intervencionismo seria justificado pelo temor de um aumento do déficit comercial norte-americano. A valorização do won pode ser ainda mais impulsionada pelos fundamentos econômicos favoráveis e pela intervenção coordenada com outros países, como as recentes ações do Japão para apreciar o iene. Fonte original: Valor Econômico
Fonte: Valor Econômico