Crédito em excesso: um alerta para a saúde futura da economia brasileira

Um estudo do FGV Ibre indica que o endividamento recorde das famílias pode levar à um colapso no consumo em 2027, potencialmente desencadeando uma recessão mais severa. Este fenômeno é particularmente preocupante por causa da absorção crescente de juros elevados por grupos com menor renda.

O nível recorde de endividamento das famílias tem sido uma constante nos últimos anos, e especialistas econômicos estão agora se preocupando com as possíveis consequências. Um estudo recente do FGV Ibre sugere que o consumo futuro pode ser severamente impactado em 2027 a menos que haja um ajuste significativo no nível de endividamento atual. A pesquisa, baseada em dados do Banco Central e análises de outras instituições como BTG Pactual, indica que os juros elevados das linhas de crédito podem levar a uma queda acentuada na demanda consumista, potencialmente desencadeando uma crise econômica mais severa do que o esperado. O estudo 'Endividamento das Famílias e Recessão Econômica no Brasil', publicado em 2020, ressalta que a baixa renda tem sido cada vez mais atingida por juros elevados, como os do cartão de crédito rotativo, o cheque especial e créditos pessoais sem consignação. Essas modalidades representam agora quase 25% da carteira das pessoas físicas, contra 20% antes da pandemia. Segundo a economista Katherine Hennings, esse comportamento se deve à crescente absorção de crédito por aqueles com menor renda, o que sugere um aumento do endividamento em relação à renda, atingindo níveis inéditos no Brasil. A situação financeira das famílias, conforme indicado pelo valor médio da dívida inadimplida do Serasa (R$ 6.300) e a queda real de rendimento do IBGE, é particularmente preocupante para o futuro da economia brasileira. Além disso, essas tendências globais refletem um desafio comum enfrentado por muitos países em desenvolvimento, onde as políticas monetárias agressivas podem levar a uma deterioração econômica subsequente.

Fonte: Valor Econômico