Desafios e Potencial da Captura de Carbono no Brasil
A captura de carbono (CCS) ganha espaço no Brasil como uma solução para a descarbonização, mas sua implementação depende de regulamentações claras e sinais econômicos. O marco legal incluiu o CCS na Lei do Combustível, abrindo caminho para projetos pilotos que visam reduzir emissões em setores industriais difíceis de desembaraçar completamente de carbono.
A tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) está ganhando impulso no cenário global, com países como o Brasil começando a incorporá-la em suas estratégias de mitigação climática. Esta tecnologia, que consiste na coleta do dióxido de carbono emitido por indústrias e sua armazenagem geológica, apresenta-se como uma ferramenta crucial para alcançar os objetivos de descarbonização estabelecidos no Acordo de Paris. No entanto, o sucesso da implementação da CCS no Brasil depende não apenas do avanço tecnológico, mas também da criação de um marco regulatório adequado e dos sinais econômicos que possam atrair investimentos estruturais necessários para a sua implantação em larga escala. A discussão sobre o futuro da CCS no Brasil foi abordada em um painel promovido pela ANP, reunindo representantes do setor público e privado. Segundo Isabela Morbach Machado e Silva, cofundadora da CCS Brasil, a regulamentação do mercado de carbono será fundamental para criar demanda por esta tecnologia, ao estabelecer preços claros para emissões de CO₂. A especialista destaca que o CCS deve ser considerado uma parte integrante das estratégias de redução de emissões, complementando outras iniciativas mais diretas em setores como cimento e siderurgia onde a eliminação total de gases é inviável. O desafio agora é transformar os conhecimentos acumulados em projetos concretos, uma tarefa que envolve coordenação entre governo, academia e indústria. Na esfera macroeconômica, a implementação efetiva da CCS no Brasil pode ter implicações significativas para o setor energético e industrial, potencializando a inovação tecnológica e a competitividade das empresas nacionais no mercado global de energia limpa.
Fonte: Valor Econômico