Dólar Canadense Sob Pressão: Tarifas Comerciais e Reavaliação Monetária Desafiam o Loonie

O dólar canadense enfrenta uma perspectiva de desvalorização, com analistas do ING apontando para uma subestimação dos riscos de mercado. A escalada das tarifas comerciais entre Canadá e EUA, juntamente com a reavaliação das expectativas de política monetária do Banco do Canadá para uma postura mais dovish, exerce pressão sobre o "loonie". Embora o USD/CAD possa subir no curto prazo, a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve pode limitar os ganhos do dólar americano, mas o CAD deve continuar a ter um desempenho inferior em relação a outras moedas do G10.

O dólar canadense, frequentemente apelidado de "loonie", encontra-se em um ponto de inflexão, enfrentando uma perspectiva de desvalorização que diverge da resiliência observada anteriormente. Analistas do ING apontam para uma subestimação significativa dos riscos de mercado, argumentando que a complacência inicial dos investidores, que esperava uma rápida transição da escalada para a negociação no conflito comercial, está agora sendo desafiada. Esta visão contrasta com a reação contida da moeda até o momento, que manteve sua subperformance limitada frente a outras moedas do G10, mesmo após a eclosão das tensões comerciais.

Dois fatores primordiais impulsionam esta visão pessimista para a divisa canadense. Primeiramente, a escalada das tarifas comerciais entre Canadá e Estados Unidos representa um risco substancial. Em 22 de agosto, tarifas de 50% sobre aproximadamente US$20 bilhões em produtos canadenses entraram em vigor, com novas tarifas sobre automóveis, autopeças e aço canadianos previstas para janeiro de 2027. Em resposta, o Canadá anunciou tarifas retaliatórias equivalentes, avaliadas em US$20 bilhões, incluindo 50% sobre aço e alumínio, a partir de 8 de setembro. Este cenário de atrito comercial eleva um prêmio de risco tarifário para o CAD, impactando negativamente a confiança dos investidores e as perspectivas econômicas.

Em segundo lugar, a reavaliação das expectativas de política monetária do Banco do Canadá (BoC) adiciona pressão. Os mercados reduziram drasticamente suas projeções para aumentos cumulativos da taxa de juros do BoC até abril de 2027, de 63 pontos-base para 44 pontos-base em apenas uma semana, com o ING projetando apenas dois aumentos modestos em 2027. Essa postura mais dovish do BoC, em contraste com a relativa robustez de outros bancos centrais do G10, como os da Austrália (AUD) e Noruega (NOK), posiciona o dólar canadense para um desempenho inferior. A divergência nas políticas monetárias entre as grandes economias globais é um tema macroeconômico recorrente que agora pesa sobre o CAD.

No curto prazo, o par USD/CAD é projetado para subir em direção à faixa de 1,3920-1,3950. Contudo, a visão do ING sobre um dólar americano mais fraco no final do ano, impulsionada pelas expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve, pode limitar esses ganhos no quarto trimestre. A empresa projeta o USD/CAD em 1,39 até o final do terceiro trimestre e 1,38 até o final do quarto trimestre. No geral, a análise sugere que os mercados ainda não precificaram totalmente o impacto econômico cumulativo da disputa tarifária e da recalibragem da política monetária do BoC, o que indica uma trajetória de enfraquecimento contínuo para o dólar canadense em relação aos seus pares do G10.

Fonte original: ForexLive (InvestingLive)

Fonte: ForexLive (InvestingLive)