Dólar em Movimento: Resposta à Recuperação Internacional e Perspectivas Positivas para o Real

Na quinta-feira, o dólar à vista subiu ligeiramente após uma queda significativa no dia anterior. A recuperação se alinhou com a tendência global e apesar da liquidez mais baixa, as perspectivas para o real são positivas devido ao diferencial de juros e melhorias no fluxo comercial.

Na sessão desta quinta-feira, o dólar à vista registou uma leve recuperação de sua queda drástica do dia anterior. Esta tendência se alinhou com a movimentação global das moedas mais líquidas, refletindo os ajustes pós-evento no mercado externo. Embora a liquidez tenha sido menor do que o normal, contribuindo para um ambiente de negociação menos dinâmico, o valor do dólar à vista encerrou em R$ 5,1926, com uma subida de 0,32% em relação ao fechamento anterior. O volume total negociado no mercado futuro do dólar hoje foi de US$ 24,4 bilhões, uma quantidade significativamente menor comparada à média mensal de agosto, que é de US$ 28,8 bilhões. A recuperação do dólar local ocorreu após o Tesouro americano anunciar um aumento na recompra de títulos de longo prazo, influenciando a curva cambial tanto no Brasil quanto no exterior. Outros fatores que contribuíram para esta tendência incluem a estabilidade do índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas desenvolvidas, mantendo-se em 98,886 pontos. Para os especialistas, como o economista Gustavo Rostelato da Armor Capital, as perspectivas para o câmbio brasileiro são positivas, apesar das quedas recentes. Rostelato destaca que o diferencial de juros no Brasil ainda mantém a rentabilidade do carry-trade e há uma melhoria em direção ao fluxo comercial, influenciado pelo petróleo e investimentos diretos (FDI), que estão ajudando a atenuar o déficit na conta corrente. Contudo, a gestora prevê um desempenho negativo do câmbio durante o período eleitoral, com o prêmio de risco pressionando o dólar no futuro, mas reitera que os fundamentos positivos continuarão a influenciar o cenário cambial pós-eleitoral. "O prêmio de risco vai aparecer e vai pressionar o câmbio, mas os fundamentos seguem positivos, e não vemos um fluxo forte de capitais saindo do Brasil", disse Rostelato.

Fonte: Valor Econômico