Fed deve pausar aumento de juros em outubro, mas inflação persistente e energia elevam risco de nova alta em dezembro

O mercado financeiro projeta que o Federal Reserve manterá a taxa de juros inalterada em sua próxima reunião, em uma pausa estratégica para avaliar os impactos da política monetária. Contudo, a persistência da inflação, especialmente devido aos preços de energia, sugere que uma nova elevação em dezembro é provável, o que pode pressionar o câmbio e limitar o espaço para cortes na Selic no Brasil.

O que aconteceu

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo de 3,75% a 4,00% na reunião desta quarta-feira (28). Essa pausa no ciclo de aperto monetário é vista como estratégica, permitindo que o Fed avalie o impacto das restrições financeiras já implementadas, sem descartar uma nova elevação em dezembro. A decisão reflete um consenso interno para intercalar os aumentos de juros, com 90,6% do mercado financeiro, segundo o FedWatch do CME Group, apostando na estabilidade das taxas. A proximidade das eleições de meio de mandato (midterm) também pode desestimular movimentos mais audaciosos, conforme apontado por Vinicius Flores, da Stratton Capital Nova York. Apesar da pausa, a economia americana mostra resiliência, e a inflação persiste, reavivada pelos preços do petróleo e disseminando-se para outros setores. O Goldman Sachs observa que a estratégia do Fomc tem sido elevar as taxas a cada duas reuniões, o que justificaria a pausa em outubro e um possível aumento em dezembro.

Por que importa

A manutenção dos juros pelo Fed em outubro, seguida pela expectativa de uma nova alta em dezembro, sinaliza que as taxas americanas podem permanecer elevadas por mais tempo. Esse cenário é crucial para o Brasil, pois um diferencial de juros menor entre a Selic e os juros americanos tende a pressionar o câmbio, tornando o real menos atraente para investidores que buscam rendimento. Além disso, a persistência da inflação nos EUA, impulsionada por choques de oferta como os preços de energia e pela disseminação para outros itens como aluguel e serviços, complica a tarefa do Fed de equilibrar a desaceleração do mercado de trabalho com o controle inflacionário. Para o Copom, esse ambiente externo mais restritivo, somado ao estresse fiscal pós-eleitoral no Brasil, pode reduzir o espaço para cortes mais agressivos na Selic, impactando diretamente a política monetária doméstica e o custo do crédito.

Impacto nos mercados

Juros e títulos: Os rendimentos dos Treasuries americanos tendem a permanecer elevados ou subir, especialmente os de prazos mais curtos, refletindo a expectativa de juros mais altos por mais tempo nos EUA. No Brasil, os juros futuros podem subir, pois a menor expectativa de cortes na Selic, ou até a possibilidade de manutenção, precifica um cenário de política monetária mais apertada. Dólar e câmbio: O dólar tende a se fortalecer globalmente, incluindo frente ao real. Um diferencial de juros menor entre Brasil e EUA reduz o apelo do real para fluxos de capital em busca de carry trade, exercendo pressão de desvalorização sobre a moeda brasileira. Bolsas: As bolsas de valores, tanto nos EUA quanto no Brasil, podem enfrentar volatilidade. Juros mais altos nos EUA tendem a encarecer o crédito e reduzir a atratividade de ativos de risco, podendo levar a uma correção. No Brasil, a pressão cambial e a menor perspectiva de cortes na Selic também podem pesar sobre o Ibovespa. Commodities: Os preços das commodities, especialmente o petróleo, já estão sendo impulsionados por choques geopolíticos. A persistência dessa pressão inflacionária pode manter os preços elevados, o que é um fator de risco para a inflação global e para as decisões dos bancos centrais. Brasil: O cenário externo de juros mais altos nos EUA por mais tempo, combinado com a inflação persistente e o estresse fiscal doméstico, tende a limitar o espaço do Copom para cortes na Selic. Isso pode resultar em uma taxa de juros doméstica mais elevada por um período prolongado, impactando o crescimento econômico e o custo do endividamento público e privado.

O que acompanhar

Os próximos dados de inflação (CPI e PCE) e do mercado de trabalho (payroll) nos EUA serão cruciais para confirmar ou invalidar a leitura de uma pausa temporária seguida por um novo aperto. Comentários de membros do Fomc também serão monitorados de perto para sinais sobre a direção futura da política monetária. No Brasil, a evolução do cenário fiscal pós-eleitoral e os próximos dados de inflação doméstica serão fundamentais para a decisão do Copom sobre a Selic.

Cenários

Cenário Base: Fed mantém juros em outubro, mas eleva em dezembro devido à inflação persistente. Isso restringe o espaço para cortes na Selic no Brasil, mantendo os juros domésticos elevados e pressionando o câmbio. Cenário de Risco: Inflação nos EUA desacelera mais rapidamente que o esperado, ou o mercado de trabalho enfraquece significativamente, levando o Fed a sinalizar o fim do ciclo de aperto. Isso abriria mais espaço para o Copom cortar a Selic e aliviaria a pressão sobre o real. Fonte original: InfoMoney. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Fonte: InfoMoney