Fluxos de Petróleo Bruto em Hormuz Recuperam, Mas Escassez de Diesel Persiste

Os fluxos de petróleo bruto através do Estreito de Hormuz estão se aproximando dos níveis pré-guerra, mas a oferta de produtos refinados, especialmente diesel, permanece escassa devido a refinarias danificadas e restrições de exportação asiáticas. Essa dicotomia sugere que, embora os preços do petróleo bruto possam aliviar, o diesel deve continuar caro, mantendo as margens de refino elevadas e pressionando a inflação global.

O que aconteceu

Dados recentes indicam que os fluxos de petróleo bruto através do Estreito de Hormuz atingiram uma média de cerca de 10,3 milhões de barris por dia na semana passada, o que representa aproximadamente 76% dos níveis observados antes do conflito. No entanto, a recuperação não se estende aos produtos refinados. As remessas de combustíveis como diesel e gasolina somaram apenas cerca de 1,3 milhão de barris por dia, correspondendo a aproximadamente 11% do total dos fluxos, uma queda significativa em relação aos mais de 20% registrados antes da guerra.

Essa disparidade é atribuída principalmente a danos em refinarias na região do Golfo, incluindo instalações na Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Iraque, que permanecem inoperantes após ataques. Além disso, grandes refinarias asiáticas na China, Japão e Coreia do Sul estão retendo a maior parte de sua produção de combustível para consumo doméstico, em vez de exportá-la. Isso posiciona os Estados Unidos como um dos poucos grandes fornecedores de combustível refinado em um mercado global apertado. Os preços do diesel nos EUA atingiram um recorde de cerca de US$ 6,50 por galão no mês passado, com analistas projetando uma recuperação total da oferta apenas bem avançada em 2027. As exportações de petróleo bruto sauditas dobraram em setembro, atingindo cerca de 7 milhões de barris por dia, mas ataques iranianos renovados à navegação representam um risco significativo.

Por que importa

A persistente escassez de produtos refinados, especialmente diesel, tem implicações econômicas globais importantes. O diesel é um combustível essencial para o transporte de mercadorias, agricultura e indústria, e seus preços elevados impactam diretamente os custos de produção e logística, contribuindo para a inflação. A recuperação dos fluxos de petróleo bruto, por si só, não é suficiente para aliviar a pressão sobre os preços dos combustíveis, pois o gargalo está na capacidade de refino e na disponibilidade de produtos acabados. Isso favorece as refinarias com capacidade operacional, especialmente nos EUA, que se beneficiam de margens de refino elevadas, mas adiciona pressão sobre governos que enfrentam inflação impulsionada pelos custos de energia.

Impacto nos mercados

  • Juros e títulos: A inflação persistente, impulsionada pelos altos preços do diesel, pode levar bancos centrais a manterem políticas monetárias mais restritivas por mais tempo, ou até mesmo a considerarem novos aumentos de juros. Isso tende a pressionar os rendimentos dos títulos governamentais para cima, especialmente os de prazos mais curtos, refletindo as expectativas de juros mais altos. Treasuries podem ver seus yields subindo.
  • Dólar e câmbio: Um cenário de inflação global persistente e juros mais altos nos EUA pode fortalecer o dólar em relação a outras moedas, incluindo o real. A demanda por ativos considerados seguros em tempos de incerteza econômica também tende a favorecer o dólar. O real pode se desvalorizar frente ao dólar.
  • Bolsas: A elevação dos custos de combustível pode impactar negativamente as margens de lucro de empresas em setores intensivos em transporte e logística, bem como na indústria e agricultura. Isso pode gerar pressão de baixa sobre os índices de ações globais e o Ibovespa, embora empresas de refino com capacidade ociosa possam se beneficiar. A incerteza inflacionária também tende a pesar sobre o sentimento do investidor.
  • Commodities: Os preços do petróleo bruto podem apresentar um alívio marginal com a recuperação dos fluxos, mas os preços do diesel e de outros produtos refinados tendem a permanecer elevados, mantendo os spreads de crack (diferença entre o preço do petróleo bruto e seus derivados) em patamares altos. O risco de ataques iranianos, no entanto, é um fator de alta para ambos.
  • Brasil: A inflação de combustíveis no mercado internacional se traduz em pressão inflacionária interna, afetando os custos de transporte e produção. Isso pode dificultar o trabalho do Banco Central na gestão da inflação e na eventual flexibilização da política monetária, mantendo a Selic em patamares elevados por mais tempo. A desvalorização do real também pode agravar a inflação importada.

O que acompanhar

Os investidores devem monitorar de perto os seguintes pontos:

  • Relatórios sobre a recuperação das refinarias no Golfo: Qualquer progresso na reparação e reativação das refinarias danificadas pode sinalizar um alívio na escassez de produtos refinados.
  • Dados de exportação de combustíveis da Ásia: Mudanças nas políticas de exportação de países como China, Japão e Coreia do Sul podem impactar a oferta global de diesel.
  • Desenvolvimentos geopolíticos no Oriente Médio: A escalada ou desescalada de tensões, especialmente ataques à navegação no Estreito de Hormuz, pode afetar diretamente os fluxos de petróleo e combustíveis.
  • Relatórios de estoques de diesel nos EUA e globalmente: Níveis de estoque baixos continuam a indicar um mercado apertado.

Cenários

Cenário Base: Os fluxos de petróleo bruto se mantêm estáveis ou aumentam ligeiramente, mas a escassez de diesel persiste até bem em 2027 devido à lenta recuperação da capacidade de refino e à retenção de exportações asiáticas. Preços do diesel permanecem elevados, contribuindo para a inflação global e mantendo a pressão sobre os bancos centrais.

Cenário de Risco (de alta para preços): Uma escalada nos conflitos no Oriente Médio, com novos ataques à navegação ou infraestrutura de petróleo, interrompe os fluxos de petróleo bruto e/ou produtos refinados. Isso levaria a um aumento acentuado nos preços de ambas as commodities, agravando a crise de oferta e a inflação global.

Fonte original: ForexLive (InvestingLive). Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Fonte: ForexLive (InvestingLive)