Inflação ao produtor na China acelera para 5%, enquanto preços ao consumidor ficam em 0,9%

A inflação ao produtor na China atingiu 5% em setembro, o maior nível em mais de quatro anos, impulsionada por custos de energia e commodities, enquanto a inflação ao consumidor permaneceu contida em 0,9% devido à fraca demanda doméstica. Essa divergência sinaliza um choque de custos que pode pressionar margens de empresas e impactar a inflação global, mas a demanda interna enfraquecida mantém espaço para estímulos monetários na China.

O que aconteceu

A inflação ao produtor (PPI) na China acelerou para 5% em setembro na comparação anual, superando as expectativas de 4,5% e marcando o ritmo mais rápido desde junho de 2022. Em agosto, o PPI havia registrado 3,8%. Mensalmente, o índice subiu 1,2%, contra 0,4% no mês anterior. Essa alta foi impulsionada principalmente pelos custos de petróleo e outras commodities, com aumentos acentuados no processamento de combustíveis, produtos químicos e metais não ferrosos, atribuídos a interrupções na cadeia de suprimentos ligadas a conflitos no Oriente Médio, tensões geopolíticas e condições climáticas adversas.

Em contraste, a inflação ao consumidor (CPI) na China avançou modestamente para 0,9% em setembro na comparação anual, ligeiramente acima dos 0,8% de agosto, mas abaixo da previsão de 1%. Mensalmente, o CPI subiu 0,2%, desacelerando em relação a agosto e ficando aquém das expectativas. A inflação central (core inflation), que exclui alimentos e energia, permaneceu estável em 1%. Os preços da gasolina, que subiram quase 17% anualmente, contribuíram com quase meio ponto percentual para o CPI. A fraca demanda doméstica tem limitado a capacidade das empresas de repassar os custos mais altos aos consumidores, resultando em uma recuperação econômica desigual, mais dependente das exportações do que do consumo interno.

Por que importa

A crescente divergência entre a inflação ao produtor e ao consumidor na China é um sinal de um choque de custos impulsionado por commodities, e não por uma forte demanda interna. Isso significa que as empresas chinesas estão enfrentando custos de insumos mais elevados, mas têm dificuldade em repassá-los aos consumidores, o que pode comprimir suas margens de lucro. Para o cenário global, a China, que historicamente exportava desinflação, agora pode estar repassando custos mais altos, adicionando pressão sobre os preços globais de bens. Isso é uma preocupação para bancos centrais como o Fed e o BCE, que já estão lidando com a inflação impulsionada pela energia.

Internamente, a contenção da inflação ao consumidor e da inflação central sugere que a demanda doméstica permanece fraca, o que pode justificar a manutenção de políticas de apoio. No entanto, o salto no PPI complica a justificativa para um relaxamento monetário agressivo, pois o banco central chinês precisa equilibrar o suporte à demanda com a preocupação com a inflação de custos. O governo chinês já aprovou um adicional de 550 bilhões de yuans em cotas de títulos de governos locais para infraestrutura e outros gastos, além de medidas como subsídios hipotecários, buscando estimular a economia.

Impacto nos mercados

  • Juros e títulos: A pressão inflacionária de custos na China, se repassada globalmente, pode reforçar a expectativa de que os bancos centrais globais, como o Fed e o BCE, mantenham uma postura mais cautelosa em relação a cortes de juros. Isso tende a manter os rendimentos dos Treasuries e de outros títulos soberanos em patamares elevados.
  • Dólar e câmbio: O dólar pode se fortalecer em relação a moedas de economias emergentes, incluindo o real, caso a inflação global persistente leve a uma postura mais hawkish dos bancos centrais desenvolvidos. O yuan chinês (CNY) pode sofrer alguma pressão de desvalorização se a fraca demanda interna justificar mais estímulos monetários, ou se a compressão de margens afetar a balança comercial.
  • Bolsas: As bolsas globais podem reagir negativamente a expectativas de inflação mais persistente e juros mais altos. Empresas chinesas, especialmente as manufatureiras, podem ver suas margens de lucro sob pressão devido à dificuldade de repassar custos, impactando o desempenho de seus papéis. A reação inicial do mercado chinês foi de leve queda, sugerindo que os investidores não esperam grandes mudanças de política no curto prazo com base nesses dados.
  • Commodities: A notícia reforça a narrativa de que os preços das commodities, especialmente petróleo, são os principais impulsionadores da inflação de custos. Isso tende a manter os preços de commodities em patamares elevados, beneficiando empresas do setor e países exportadores.
  • Brasil: O Brasil, como grande exportador de commodities, pode se beneficiar dos preços elevados. No entanto, a pressão inflacionária global e a postura mais cautelosa dos bancos centrais podem limitar o espaço para cortes agressivos na Selic pelo Copom, e o real pode sentir a pressão de um dólar mais forte em um cenário de aversão a risco global.

O que acompanhar

Os próximos dados de inflação global, especialmente nos EUA e Europa, serão cruciais para avaliar se a pressão de custos da China está se traduzindo em inflação de bens mais ampla. Além disso, será importante monitorar os dados de atividade econômica e confiança do consumidor na China para verificar se o estímulo governamental consegue impulsionar a demanda interna e estreitar a divergência entre PPI e CPI. Declarações de autoridades do Fed e do BCE sobre o impacto da inflação de custos global também serão relevantes.

Cenários

Cenário Base: A inflação ao produtor na China se estabiliza ou recua levemente nos próximos meses, à medida que as pressões de commodities diminuem, e a fraca demanda interna permite que o governo continue com estímulos direcionados, sem um relaxamento monetário agressivo. O impacto global é gerenciável, com bancos centrais mantendo uma postura vigilante. Cenário de Risco: As pressões de custos na China persistem e se intensificam, sendo repassadas de forma mais significativa para a inflação global de bens, forçando bancos centrais a adotarem uma postura mais restritiva por mais tempo, aumentando os riscos de desaceleração econômica global e volatilidade nos mercados.

Fonte original: ForexLive (InvestingLive). Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Fonte: ForexLive (InvestingLive)