Juros futuros no Brasil caem drasticamente após Flávio Bolsonaro liderar no primeiro turno

O mercado de renda fixa brasileiro registrou um rali intenso, com juros futuros de longo prazo caindo mais de 1 ponto percentual, após Flávio Bolsonaro surpreender e superar o presidente Lula no primeiro turno das eleições presidenciais. A reação reflete a precificação de uma maior probabilidade de vitória de Bolsonaro e uma 'onda de direita' no Congresso, indicando expectativas de políticas econômicas mais favoráveis ao mercado.

O que aconteceu

O mercado de renda fixa brasileiro experimentou um rali expressivo e generalizado nesta segunda-feira, com as taxas de juros futuras e os rendimentos dos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-Bs) registrando quedas significativas. Esse movimento ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial, um resultado que pegou os mercados de surpresa.

As quedas foram notáveis: os juros futuros de longo prazo recuaram mais de 1 ponto percentual. A taxa do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2031, por exemplo, despencou de 13,99% para 12,655%, atingindo seu menor nível desde 24 de outubro de 2024. As taxas das NTN-Bs também caíram, com muitos vértices da curva de juros reais operando abaixo de 7%. A taxa da NTN-B para agosto de 2050 recuou de 7,15% para 6,72%. A intensidade do movimento foi tamanha que a B3 precisou ampliar duas vezes o limite de oscilação diária dos contratos de DI, algo que não ocorria desde março de 2020.

Por que importa

A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, acompanhada por uma expressiva 'onda de direita' no Congresso Nacional, especialmente no Senado, onde o PL obteve a maior bancada desde 1988, foi interpretada pelo mercado como um sinal de maior probabilidade de adoção de políticas econômicas consideradas mais ortodoxas e pró-mercado. A expectativa é que um governo de direita seja mais propenso a implementar cortes de gastos e reformas fiscais, o que tende a reduzir o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros e, consequentemente, as taxas de juros.

Analistas de mercado indicam que a reação forte se deve ao fato de que muitos investidores estavam posicionados para um cenário de empate ou com Lula à frente, e não para a vantagem de Bolsonaro. A precificação atual do mercado sugere uma alta probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, o que impulsionou o rali na renda fixa.

Impacto nos mercados

  • Juros e títulos: O impacto foi direto e significativo. Os juros futuros e os rendimentos dos títulos públicos (prefixados e indexados à inflação) despencaram. Isso significa que o custo de captação para o governo e empresas tende a diminuir, e os títulos de renda fixa já emitidos com taxas mais altas se valorizam. O movimento foi um dos mais intensos dos últimos anos na renda fixa doméstica.
  • Dólar e câmbio: A percepção de um cenário político mais favorável ao mercado tende a atrair capital estrangeiro, o que pode levar a uma valorização do real frente ao dólar. Embora a notícia não detalhe o movimento do câmbio, a queda dos juros futuros e o rali na renda fixa geralmente acompanham uma apreciação da moeda local.
  • Bolsas: A redução do risco país e a expectativa de políticas econômicas mais liberais tendem a ser positivas para o mercado de ações. Empresas podem se beneficiar de um ambiente de juros mais baixos e maior confiança dos investidores, o que pode impulsionar o Ibovespa.
  • Brasil: A mudança na percepção de risco político e econômico no Brasil é o principal motor desses movimentos. A expectativa de um governo com maior alinhamento à direita e um Congresso mais conservador sinaliza uma potencial agenda de reformas e ajuste fiscal, o que é visto como positivo para a estabilidade macroeconômica e atração de investimentos.

O que acompanhar

Os investidores estarão atentos aos desenvolvimentos da campanha para o segundo turno, buscando mais detalhes sobre os planos econômicos dos candidatos, especialmente no que tange a cortes de gastos e reformas. Declarações e propostas que sinalizem maior responsabilidade fiscal ou, por outro lado, aumento de gastos, poderão influenciar a direção dos mercados. A formação de alianças políticas e o tom dos debates também serão cruciais para a precificação de risco.

Cenários

Cenário Base: A percepção de que Flávio Bolsonaro tem alta probabilidade de vitória no segundo turno continua a sustentar o rali na renda fixa, com juros e rendimentos de títulos mantendo-se em patamares mais baixos, à medida que o mercado busca detalhes sobre a agenda econômica. Cenário de Risco: Caso haja uma mudança significativa nas pesquisas ou nas expectativas para o segundo turno, indicando uma menor probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro ou uma agenda econômica menos alinhada ao mercado, os juros futuros poderiam reverter parte das quedas recentes.

Fonte original: Valor Econômico. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Fonte: Valor Econômico