MUFG recomenda venda de EUR/JPY com estresse em títulos franceses e aperto do BoJ
O MUFG recomenda uma posição vendida em EUR/JPY, apostando que o estresse nos títulos franceses reduzirá a necessidade de altas de juros do BCE, enquanto o Banco do Japão (BoJ) se prepara para um novo aperto monetário. A estratégia visa lucrar com a divergência nas políticas monetárias e o aumento da aversão ao risco, que tende a fortalecer o iene.
O que aconteceu
O MUFG, um dos maiores bancos do Japão, recomendou uma nova posição vendida no par de moedas EUR/JPY, com entrada em 177.50, alvo em 172.00 e stop-loss em 181.50. A recomendação baseia-se na expectativa de que a divergência nas políticas monetárias do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco do Japão (BoJ), juntamente com o aumento do estresse no mercado de títulos da zona do euro, levará a uma desvalorização do euro frente ao iene.
O banco destaca que os rendimentos dos títulos de curto prazo na zona do euro estão caindo, à medida que os mercados reduzem as expectativas de altas de juros do BCE. Isso ocorre em parte devido ao alargamento dos spreads entre os títulos franceses e alemães, que tem apertado as condições financeiras na região. A presidente do BCE, Christine Lagarde, já sinalizou que rendimentos de longo prazo mais altos podem desacelerar o crescimento e reduzir a inflação mais do que o projetado, diminuindo a urgência de altas agressivas. As expectativas de alta do BCE até meados de 2027 já recuaram cerca de 30 pontos-base de seu pico.
Em contraste, o MUFG prevê que o BoJ realizará outra alta de juros antes do final do ano, embora provavelmente não neste mês, o que reduziria os diferenciais de rendimento com a zona do euro. Além disso, o iene tende a se beneficiar de um aumento na aversão ao risco, que pode desencadear o desmonte de carry trades financiados em iene, como observado na semana até 2 de outubro, quando o iene e o franco suíço foram as moedas do G10 com melhor desempenho.
Por que importa
A recomendação do MUFG reflete uma leitura de mercado que aponta para uma fragmentação crescente dentro da zona do euro e uma mudança na postura de política monetária do Japão. O estresse nos títulos franceses, com spreads em relação aos alemães aumentando mais do que o esperado, sinaliza riscos políticos e fiscais que afetam a percepção de risco da moeda única. Essa situação leva a um aperto nas condições financeiras da zona do euro, o que, por sua vez, pode reduzir a necessidade de o BCE subir as taxas de juros agressivamente.
Simultaneamente, a expectativa de um BoJ mais hawkish marca uma potencial mudança de décadas de política monetária ultralaxa no Japão. A combinação de um BCE potencialmente menos propenso a altas e um BoJ mais propenso a apertar cria um diferencial de juros que favorece o iene. Além disso, em momentos de maior volatilidade global, o iene é tradicionalmente visto como um ativo de refúgio, beneficiando-se do desmonte de carry trades.
Impacto nos mercados
- Juros e títulos: Os rendimentos dos títulos de curto prazo na zona do euro tendem a cair, refletindo a redução das expectativas de alta do BCE. O spread entre os títulos franceses e alemães pode continuar a se alargar, indicando maior percepção de risco para a dívida francesa. No Japão, os rendimentos podem subir ligeiramente com a expectativa de aperto do BoJ.
- Dólar e câmbio: O par EUR/JPY tende a cair, com o euro se desvalorizando em relação ao iene. A aversão ao risco global pode fortalecer o iene como moeda de refúgio. O dólar americano pode se beneficiar de um cenário de aversão ao risco, mas o foco principal é a dinâmica entre EUR e JPY.
- Bolsas: As bolsas europeias, especialmente as francesas, podem sofrer pressão negativa devido ao aumento da percepção de risco e ao aperto das condições financeiras. Um aumento da aversão ao risco global tende a ser negativo para as bolsas em geral.
- Commodities: Um aumento da aversão ao risco pode levar a uma demanda por ativos de refúgio e, potencialmente, a uma pressão sobre os preços de commodities, embora o impacto direto seja menos claro. Um choque nos preços de energia, como o da guerra no Irã, pode aumentar a conta de importação do Japão, o que poderia moderar os ganhos do iene se o petróleo disparar novamente.
- Brasil: O aumento da aversão ao risco global e a valorização do iene podem levar a uma busca por segurança, o que, em geral, tende a ser negativo para moedas de mercados emergentes como o real. No entanto, o impacto direto no Brasil é secundário a essa dinâmica EUR/JPY.
O que acompanhar
Os investidores devem monitorar os seguintes pontos:
- Dados e declarações do BCE: Qualquer indicação sobre a postura futura da política monetária do BCE, especialmente em relação às taxas de juros e à avaliação dos riscos de fragmentação na zona do euro.
- Decisões do BoJ: A próxima reunião do BoJ e quaisquer sinais de uma alta de juros ou de uma mudança na sua política de controle da curva de rendimentos.
- Mercado de títulos europeus: A evolução dos spreads dos títulos franceses em relação aos alemães. Uma estabilização ou redução desses spreads poderia invalidar a tese do MUFG.
- Volatilidade global: Níveis de volatilidade nos mercados financeiros, que podem influenciar a dinâmica dos carry trades e a demanda por ativos de refúgio.
Cenários
Cenário Base: O estresse nos títulos franceses persiste, levando o BCE a adotar uma postura menos hawkish. O BoJ realiza uma alta de juros antes do final do ano. A aversão ao risco global aumenta, fortalecendo o iene e levando o EUR/JPY a se aproximar do alvo de 172.00. Cenário de Risco: Os mercados de títulos europeus se estabilizam, com os spreads franceses se estreitando, talvez por sinais de que a venda forçada de títulos OAT está se esgotando ou que o orçamento francês é aprovado sem problemas. Isso poderia provocar um rali de short-covering no euro, levando o EUR/JPY acima do nível de stop-loss de 181.50.
Fonte original: ForexLive (InvestingLive). Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
Fonte: ForexLive (InvestingLive)