Nova Era da Mineração: Barragens a Montante em Desfile para o Passado
As barragens a montante estão gradualmente dando lugar a outras formas de armazenamento de rejeitos na mineração brasileira, refletindo um compromisso crescente com a segurança e sustentabilidade. Investimentos significativos são necessários para a descaracterização dessas estruturas antigas, impactando diretamente o planejamento empresarial e o cenário econômico do setor.
Os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, ocorridos em 2015 e 2019, marcaram um antes e depois na indústria da mineração no Brasil. As medidas de mitigação de risco, incluindo a transformação de barragens a montante em outras formas de armazenamento de rejeitos, refletem uma resposta rápida à necessidade de segurança operacional. A Agência Nacional de Mineração (ANM) relata que o número de barragens classificadas no método a montante caiu drasticamente, passando de 74 para apenas 42. Este fenômeno não se restringe às questões imediatas de segurança, mas também impacta significativamente o cenário econômico e os planos de expansão das empresas mineradoras no país. A descaracterização dessas barragens exige investimentos consideráveis, com a Vale já tendo concluído 19 dos seus 30 projetos, gastando R$ 13,3 bilhões desde 2019. Esse movimento não apenas altera o perfil geotécnico das operações, mas também impulsiona inovações tecnológicas, como a filtragem e o empilhamento a seco, que reduzem a dependência de novas estruturas e economizam recursos hídricos. A transformação no modelo de gestão de rejeitos da mineração brasileira é um exemplo concreto do compromisso das empresas com a sustentabilidade, embora desafios relacionados à regulamentação ainda permaneçam na pauta.
Fonte: Valor Econômico