Open Finance no Brasil: A Transição da Infraestrutura para a Qualidade e Governança na Era Digital

O Open Finance brasileiro avança para uma nova fase, focando na qualidade dos dados, eficiência das jornadas do cliente e expansão segura do ecossistema. Com milhões de usuários e consentimentos, o Banco Central revisa o modelo de parcerias para garantir controle e segurança dos dados, consolidando a infraestrutura para o futuro dos serviços financeiros digitais.

O ecossistema de Open Finance no Brasil atinge um marco significativo, transicionando de sua fase inicial de implementação de infraestrutura para um estágio de aprimoramento focado em qualidade e eficiência. Após seis anos de desenvolvimento, o modelo brasileiro, que se destaca globalmente pela sua abrangência e rapidez, agora direciona sua atenção para a otimização das operações. Esta evolução reflete uma tendência macroeconômica global de digitalização acelerada dos serviços financeiros, onde a interconectividade e o compartilhamento de dados se tornam pilares para a inovação e a competição no setor bancário e de pagamentos.

A nova fase do Open Finance prioriza a integridade dos dados trafegados e a fluidez das jornadas do cliente. Com mais de 100 milhões de consentimentos ativos e a adesão de cerca de 45 milhões de usuários no ano passado, o volume de informações processadas exige um foco rigoroso na qualidade para garantir a confiança e a utilidade do sistema. Projeções indicam um crescimento exponencial, com expectativas de atingir 300 milhões de consentimentos e 60 milhões de solicitações mensais, o que sublinha a urgência de consolidar uma base robusta e confiável para sustentar essa expansão.

Paralelamente à busca por excelência operacional, o Banco Central do Brasil revisita o arcabouço regulatório para parcerias dentro do Open Finance. O objetivo é fortalecer a governança e assegurar que o controle dos dados permaneça, de fato, nas mãos do cliente, mesmo quando empresas não diretamente participantes do ecossistema recebem informações através de instituições autorizadas. Essa revisão é crucial para mitigar riscos de segurança e privacidade, elementos fundamentais para a sustentabilidade e a credibilidade de qualquer sistema financeiro aberto, e está alinhada com as melhores práticas internacionais de proteção de dados e transparência. A clareza nas responsabilidades e a operacionalização transparente das parcerias são vitais para a contínua expansão e aceitação do modelo.

Fonte original: Valor Econômico

Fonte: Valor Econômico