Ouro e Bitcoin Ganham Fôlego em Meio a Ajustes Fiscais e Monetários nos EUA

O ouro e o Bitcoin estão experimentando uma valorização significativa, impulsionados pelas ações do Tesouro dos EUA para controlar custos de financiamento, que pressionam o dólar. Investidores buscam ativos reais e utilizam estratégias sofisticadas de derivativos, apostando na desvalorização cambial. O ouro registra sua maior alta mensal desde janeiro e o Bitcoin supera US$ 80 mil, refletindo a busca por refúgio em meio a complexidades fiscais e monetárias.

O mercado de metais preciosos e criptoativos tem observado um ressurgimento de interesse, com o ouro e o Bitcoin registrando valorização expressiva. Este movimento é impulsionado, em grande parte, pelas recentes manobras do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para gerenciar seus custos de financiamento. A decisão de expandir as compras de títulos de dívida de longo prazo, com vencimentos entre 10 e 30 anos, sinaliza uma política fiscal que tende a pressionar o valor do dólar, incentivando investidores a buscar refúgio em ativos tangíveis diante da percepção de erosão do poder de compra da moeda americana.

A estratégia do secretário do Tesouro, Scott Bessent, ao visar um aumento substancial nas aquisições de dívida de longo prazo, gerou um efeito imediato nos mercados. Enquanto o dólar sentiu a pressão descendente, o ouro à vista ascendeu notavelmente, acumulando um ganho de 10% em agosto, projetando-se para sua maior alta mensal desde janeiro, mesmo após uma correção pontual. Paralelamente, o Bitcoin, muitas vezes visto como um "ouro digital", também se beneficiou, registrando uma alta de 12% em um curto período, rompendo meses de estagnação e superando brevemente a marca dos US$ 80 mil. Este cenário reflete a busca por alternativas em um ambiente de política monetária e fiscal complexa.

Investidores estão adotando abordagens sofisticadas para capitalizar essa tendência, recorrendo a instrumentos como opções exóticas e estratégias de "spreads", em vez de apenas a compra direta de opções de compra ou ETFs. Essa preferência por derivativos sugere uma convicção, embora mais moderada do que em picos anteriores, na continuidade da tese de desvalorização da moeda – o chamado "debasement trade". Conforme apontado por especialistas, essa estratégia, embora possa possa ter tido pausas, nunca perdeu sua relevância subjacente e ganha novo impulso às vésperas de setembro, mesmo com a retórica do Federal Reserve, por meio de seu presidente Kevin Warsh, reiterando o compromisso de combater a inflação.

Fonte original: Valor Econômico

Fonte: Valor Econômico