Ouro se recupera com alívio geopolítico, mas aguarda CPI dos EUA para definir direção

O ouro registrou uma recuperação na semana passada impulsionado pela diminuição das tensões geopolíticas entre EUA e Irã, que levou a uma queda nos rendimentos dos Treasuries e no dólar. No entanto, o foco agora se volta para o próximo relatório do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, que será crucial para determinar as expectativas de política monetária do Fed e a próxima movimentação do metal precioso.

O que aconteceu

O preço do ouro registrou uma forte recuperação na parte final da semana passada. Esse movimento foi impulsionado pela notícia de que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, descartou ataques ao Irã antes das eleições de novembro e mencionou discussões produtivas com o país. Essa declaração aliviou as tensões geopolíticas, resultando em um recuo nos rendimentos dos Treasuries e no dólar americano, o que historicamente beneficia o ouro como ativo de refúgio.

Durante o fim de semana, o Irã comunicou que a resposta dos EUA à sua proposta para reabrir o Estreito de Ormuz foi considerada insuficiente. Teerã havia estabelecido sete condições para restaurar a passagem marítima normal em sete dias, e alguns pontos permanecem sem resolução. As negociações para resolver essas diferenças ainda estão em andamento, mantendo um grau de incerteza sobre a situação geopolítica.

Por que importa

A dinâmica entre as tensões geopolíticas e as expectativas de política monetária do Federal Reserve (Fed) são os principais motores do preço do ouro. A diminuição do risco geopolítico, como visto com as declarações de Trump, tende a reduzir a demanda por ativos de refúgio, como o ouro, mas o impacto foi mitigado pela queda nos rendimentos dos Treasuries e no dólar, que tornam o ouro mais atraente para investidores. Por outro lado, a política monetária do Fed, especialmente a perspectiva de aumentos ou cortes nas taxas de juros, tem um impacto direto no custo de oportunidade de se manter ouro, que não paga juros. Um Fed mais hawkish (com juros mais altos) tende a pressionar o ouro para baixo, enquanto um Fed mais dovish (com juros mais baixos) tende a impulsioná-lo.

Impacto nos mercados

Juros e títulos: Os rendimentos dos Treasuries tendem a cair em cenários de menor aversão ao risco geopolítico, como o observado. Isso ocorre porque a demanda por ativos mais seguros diminui, e os investidores podem buscar retornos em outros lugares. Uma leitura do CPI dos EUA mais fraca do que o esperado pode reforçar a expectativa de que o Fed não aumentará as taxas, levando a uma queda adicional nos rendimentos dos títulos. Por outro lado, um CPI mais forte pode elevar os rendimentos, precificando uma possível alta de juros.

Dólar e câmbio: O dólar americano tende a se enfraquecer em momentos de alívio das tensões geopolíticas, pois sua demanda como moeda de refúgio diminui. Um CPI mais fraco nos EUA também pode pressionar o dólar para baixo, pois reduz a probabilidade de um aperto monetário pelo Fed. Um CPI mais forte, no entanto, pode fortalecer o dólar, dada a expectativa de juros mais altos.

Bolsas: As bolsas de valores tendem a reagir positivamente ao alívio das tensões geopolíticas, pois a incerteza diminui e o sentimento de risco melhora. Um CPI mais fraco nos EUA pode ser visto como positivo para as bolsas, pois sinaliza menos pressão inflacionária e, consequentemente, menor necessidade de aperto monetário, o que favorece o crescimento econômico. Um CPI mais forte, por outro lado, pode gerar preocupações com juros mais altos e impactar negativamente as ações.

Commodities: O ouro, como commodity de refúgio, tende a se beneficiar de incertezas geopolíticas e de um dólar mais fraco. A recuperação recente foi impulsionada pelo alívio geopolítico, mas a direção futura dependerá fortemente do CPI dos EUA. Um relatório de inflação mais brando pode impulsionar o ouro, enquanto um relatório mais forte pode pressioná-lo para baixo, devido à expectativa de juros mais altos.

Brasil: No Brasil, o alívio das tensões geopolíticas globais e um cenário de juros mais estáveis nos EUA (ou com menor probabilidade de alta) tendem a ser positivos. Um dólar global mais fraco pode aliviar a pressão de desvalorização sobre o real. A expectativa de um Fed menos hawkish pode reduzir a pressão sobre a Selic, dando mais espaço para o Copom. No entanto, a dinâmica interna e fiscal do Brasil continua sendo um fator preponderante.

O que acompanhar

O principal evento a ser acompanhado é o relatório do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, que será divulgado na quarta-feira. Uma leitura do núcleo do CPI (core reading) mais alta do que o esperado pode aumentar as probabilidades de um aumento da taxa de juros pelo Fed em outubro, exercendo pressão de baixa sobre o ouro. Por outro lado, um relatório mais fraco pode aliviar as preocupações com aumentos de juros e fornecer um novo impulso ao metal precioso.

Além do CPI, outros dados econômicos dos EUA a serem observados incluem o Índice de Preços ao Produtor (PPI), as vendas no varejo (Retail Sales) e os pedidos semanais de seguro-desemprego (Jobless Claims), todos na quinta-feira. O desenvolvimento das negociações entre EUA e Irã sobre o Estreito de Ormuz também continuará sendo um fator geopolítico relevante.

Cenários

Cenário Base: O CPI dos EUA vem em linha com as expectativas ou ligeiramente mais fraco, aliviando as preocupações com aumentos de juros e permitindo que o ouro mantenha parte de seus ganhos recentes, com potencial para um impulso adicional. As tensões geopolíticas permanecem contidas.

Cenário de Risco: O CPI dos EUA surpreende com uma leitura mais forte, elevando as expectativas de um aumento de juros pelo Fed. Isso pressionaria o ouro para baixo, enquanto os rendimentos dos Treasuries e o dólar poderiam se fortalecer. Um recrudescimento das tensões entre EUA e Irã também representaria um risco altista para o ouro, mas com um contexto de maior aversão ao risco geral.

Fonte original: ForexLive (InvestingLive). Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Fonte: ForexLive (InvestingLive)