Ouro Sobe com Alívio nos Rendimentos dos Treasuries e Pausa do Dólar, mas Persiste Vulnerabilidade
O ouro registrou uma recuperação, aproximando-se de US$ 4.180 a onça, impulsionado pela queda nos rendimentos dos Treasuries e pela pausa na valorização do dólar. Contudo, o metal precioso permanece vulnerável a uma possível retomada do aperto monetário pelo Federal Reserve e a novos aumentos nos rendimentos dos títulos.
O que aconteceu
O preço do ouro à vista subiu em direção a US$ 4.180 a onça durante o pregão asiático de sexta-feira, estendendo sua recuperação de uma mínima de dois meses atingida na quarta-feira. Essa alta foi impulsionada principalmente por uma segunda sessão consecutiva de queda nos rendimentos dos Treasuries dos EUA, após o rendimento do título de 10 anos ter alcançado uma máxima de 24 anos na quarta-feira. Adicionalmente, a valorização do dólar americano fez uma pausa, contribuindo para o suporte ao metal precioso. Alberto Musalem, presidente do Federal Reserve de St. Louis, afirmou que mais aumentos de juros serão necessários para levar a inflação de volta à meta de 2%, embora não tenha especificado as ações para a próxima reunião. Segundo a ferramenta FedWatch do CME, os traders precificam uma chance de 18% de aumento da taxa em outubro e 82% até dezembro. No cenário geopolítico, o presidente Donald Trump declarou que os EUA não atacarão o Irã antes das eleições de meio de mandato de novembro, descrevendo as conversas com Teerã como produtivas, o que reduziu o prêmio de risco de curto prazo para o ouro.
Por que importa
A recuperação do ouro está intimamente ligada ao recuo nos rendimentos dos Treasuries, que diminuem o custo de oportunidade de manter o metal, que não paga juros. Um dólar mais fraco também torna o ouro, precificado em dólar, mais barato para compradores que utilizam outras moedas. No entanto, o cenário macroeconômico subjacente permanece desafiador. A expectativa de mais aperto monetário pelo Federal Reserve, com a inflação sendo mantida por preços elevados do petróleo devido a riscos de oferta no Oriente Médio, limita o potencial de alta do ouro. Taxas de juros mais altas reduzem o apelo do ouro em relação a ativos que rendem juros. A declaração de Trump sobre o Irã diminuiu temporariamente o prêmio de porto seguro do ouro, indicando que a geopolítica oferece menos suporte ao metal do que anteriormente.
Impacto nos mercados
- Juros e títulos: Os rendimentos dos Treasuries dos EUA tendem a cair no curto prazo, aliviando a pressão sobre o custo de captação global. No entanto, a perspectiva de mais aperto do Fed e dados econômicos fortes podem rapidamente reverter essa tendência, empurrando os rendimentos de volta para cima.
- Dólar e câmbio: A pausa na valorização do dólar tende a aliviar a pressão sobre outras moedas, incluindo o real. Contudo, a expectativa de juros mais altos nos EUA pode retomar a força do dólar, especialmente se o Fed sinalizar um caminho mais agressivo.
- Bolsas: A queda nos rendimentos dos Treasuries pode oferecer um alívio temporário para as bolsas, especialmente para empresas de crescimento, ao reduzir o custo de capital. No entanto, a persistência de preocupações com a inflação e a possibilidade de mais aperto monetário podem limitar ganhos e gerar volatilidade.
- Commodities: O ouro tende a se beneficiar da queda nos rendimentos dos Treasuries e da pausa do dólar, mas sua valorização é limitada pela expectativa de juros mais altos e pela inflação impulsionada pelo petróleo. Os preços do petróleo, por sua vez, permanecem elevados devido aos riscos de oferta no Oriente Médio, mantendo as preocupações inflacionárias vivas.
- Brasil: A queda nos rendimentos dos Treasuries e a pausa do dólar podem gerar um alívio momentâneo para o real e para o mercado de juros local, permitindo um espaço para o Copom considerar o ritmo de corte da Selic. No entanto, a retomada da alta dos juros nos EUA e a valorização do dólar podem pressionar novamente o câmbio e os juros futuros no Brasil.
O que acompanhar
Os investidores devem monitorar de perto os próximos dados econômicos dos EUA, que fornecerão sinais cruciais antes da reunião do Fed em outubro. A direção dos rendimentos dos Treasuries provavelmente continuará sendo o principal motor do ouro no curto prazo. Além disso, quaisquer comentários adicionais de membros do Fed sobre a política monetária e a evolução dos preços do petróleo e dos riscos geopolíticos no Oriente Médio serão importantes.
Cenários
Cenário Base: Os rendimentos dos Treasuries permanecem voláteis, com o ouro encontrando suporte limitado pela pausa do dólar, mas sob pressão da expectativa de mais aperto do Fed. A inflação persiste, mas sem aceleração significativa. Cenário de Risco: Dados econômicos fortes nos EUA ou comentários mais hawkish do Fed levam a uma retomada do sell-off dos Treasuries, com rendimentos subindo e o dólar se fortalecendo, pressionando o ouro para novas mínimas. Riscos geopolíticos podem escalar, mas o impacto no ouro é mitigado pela política monetária.
Fonte original: ForexLive (InvestingLive). Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
Fonte: ForexLive (InvestingLive)