Prévia do CPI dos EUA: Energia deve impulsionar inflação geral, núcleo estável

A expectativa para o CPI de setembro nos EUA aponta para uma inflação geral mais alta, impulsionada principalmente pelos preços da energia, enquanto o núcleo da inflação deve permanecer estável. Este cenário coloca o Federal Reserve em uma posição delicada, equilibrando a pressão inflacionária da energia com a moderação da inflação subjacente e dados de emprego mais fracos.

O que aconteceu

O relatório do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA para setembro, a ser divulgado na quarta-feira, é aguardado com expectativa, especialmente por ser o último dado de inflação antes da reunião do Federal Reserve (Fed) em 27-28 de outubro. As projeções de mercado indicam que o CPI geral deve registrar um aumento mensal de 0,6%, elevando a taxa anual para cerca de 3,7%, partindo de 3,4% em agosto. Este seria o maior salto mensal desde abril e o nível anual mais alto em quatro meses.

O principal motor desse aumento é o componente de energia, com expectativa de alta de aproximadamente 5,5% no mês, liderado pela gasolina. Em contraste, a inflação هستo (que exclui alimentos e energia) deve apresentar um cenário mais calmo, com projeção de alta de cerca de 0,2% no mês, desacelerando em relação aos 0,3% de agosto, e mantendo a taxa anual em 2,4%. Essa divergência entre a inflação geral e a هستo é atribuída a fatores como a correção de itens voláteis (preços de hotéis e carros usados) e o impacto de custos mais altos de combustível de aviação nas passagens aéreas.

Por que importa

A distinção entre a inflação geral, impulsionada pela energia, e a inflação هستo, mais contida, cria um dilema para o Federal Reserve. Embora o Fed tenha elevado sua meta para 3,75%-4,00% em 16 de setembro, as chances de um novo aumento na reunião de outubro diminuíram para cerca de uma em quatro após o payroll de setembro ter mostrado a adição de apenas 29.000 empregos. No entanto, os mercados ainda precificam amplamente um aumento em dezembro.

Um componente de energia elevado, como o esperado, reforça a ligação entre o risco do petróleo e a política do Fed. Se o núcleo da inflação vier mais forte do que o esperado, isso poderia reavivar as apostas de um aumento da taxa em outubro. Por outro lado, um núcleo mais fraco tenderia a reforçar as expectativas de que o Fed aguarde até dezembro para qualquer movimento adicional.

Impacto nos mercados

  • Juros e títulos: Um núcleo de inflação mais fraco favoreceria a ponta curta da curva de Treasuries, levando a uma queda nos rendimentos. Um núcleo mais firme, contudo, poderia reavivar as expectativas de um aumento de juros em outubro, pressionando os rendimentos para cima, especialmente na ponta curta.
  • Dólar e câmbio: Um núcleo de inflação suave tenderia a pesar sobre o dólar, indicando menor pressão para o Fed apertar a política monetária. Um núcleo firme, ao contrário, poderia fortalecer o dólar devido ao aumento das expectativas de juros.
  • Bolsas: Um cenário de inflação هستo contida, mesmo com a inflação geral mais alta, pode ser visto como positivo para as bolsas, pois reduziria a necessidade de um aperto agressivo do Fed. No entanto, um núcleo firme que reavive as apostas de alta em outubro poderia gerar volatilidade e pressão de baixa.
  • Commodities: O componente de energia já é o principal impulsionador da inflação geral. Se os preços do petróleo continuarem elevados, isso manterá a pressão inflacionária e o foco nas commodities energéticas.
  • Ouro: O ouro tende a se beneficiar de um núcleo de inflação suave e da consequente queda nos rendimentos dos títulos, pois se torna mais atraente como ativo de refúgio sem rendimento.
  • Brasil: A dinâmica do CPI dos EUA, especialmente o núcleo, influencia diretamente as expectativas para a política monetária do Fed. Um Fed mais dovish (devido a um núcleo fraco) tende a favorecer o real e ativos de risco brasileiros, enquanto um Fed mais hawkish (devido a um núcleo forte) pode gerar pressão de desvalorização do real e saída de capital.

O que acompanhar

Os investidores devem monitorar de perto o dado do CPI de setembro, com foco especial no componente هستo. Além disso, os dados de preços ao produtor (PPI) e vendas no varejo, a serem divulgados na quinta-feira, fornecerão informações adicionais sobre a saúde da economia. As declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Bangcoc na sexta-feira, serão as últimas antes da reunião do Fed e podem oferecer pistas sobre a direção da política monetária.

Cenários

Cenário Base: Inflação geral elevada devido à energia, mas هستo em linha com as expectativas (0,2% mensal). Isso reforçaria a visão de um aumento em dezembro, mantendo as chances de outubro baixas. Cenário de Risco: Inflação هستo mais forte que o esperado (acima de 0,2% mensal), somada à alta da energia. Isso poderia reviver as apostas de alta de juros em outubro pelo Fed, gerando volatilidade nos mercados.

Fonte original: ForexLive (InvestingLive). Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Fonte: ForexLive (InvestingLive)