Real Robusto Diante das Ações do Federal Reserve

Nilton David, do Banco Central, minimizou o impacto das ações do Federal Reserve sobre o real brasileiro. Com base na política monetária atual e no cenário econômico global, ele espera que o real seja menos sensível a movimentações internacionais de juros.

Nilton David, diretor de política monetária do Banco Central (BC), minimizou o impacto potencial da alta dos juros nos Estados Unidos sobre a moeda brasileira. Em sua análise apresentada durante o J. Safra Investment Conference 2026, David argumentou que o atual estágio da nossa política monetária deve proteger o real de choques econômicos externos, especialmente aqueles gerados pelo Federal Reserve (Fed) dos EUA. O Fed decidiu elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para uma faixa entre 3,75% e 4,0%, enquanto o Copom reduziu a taxa básica do Brasil para 13,75% ao ano na semana anterior. "Não espero grandes solavancos aqui na nossa moeda", declarou David. Ele explicou que os Estados Unidos se tornaram uma atração natural de capital quando aumentam juros, devido à sua estabilidade na inflação e produtividade. No entanto, o diretor defendeu que o nível atual de juros no Brasil, que exige taxas mais altas em razão da desancoragem das expectativas de inflação, torna o real menos sensível a movimentações do mercado internacional.

O cenário macroeconômico global é marcado por uma polarização entre países avançados e emergentes. O Fed tem levantado juros para combater o aumento da inflação, enquanto o Brasil trabalha para estabilizar suas expectativas de inflação após um período turbulento. Essa divergência pode ter implicações significativas para a economia mundial, especialmente no comércio e investimentos internacionais.

"O mercado financeiro foi encontrando as suas artérias para ter crédito", disse David, referindo-se ao processo de recuperação do sistema financeiro após a grande crise de 2008. Esta recuperação tem implicações na forma como os mercados globais reagem hoje às decisões monetárias dos EUA.

Fonte original: Valor Econômico

Fonte: Valor Econômico