Riscos Globais Ameaçam Safra Recorde no Brasil

A safra agrícola de 2026/27 no Brasil está em riscovido os desafios de crédito, elevados custos e condições climáticas adversas. A dependência do país em fertilizantes e combustíveis importados cria incertezas sobre a realização da produção projetada.

No início de setembro, o Brasil embarcou em sua nova safra agrícola para 2026/27, com expectativas otimistas por um ligeiro aumento da produção. Em meio a essa esperança, contudo, pairam incertezas sobre os desafios de crédito e custos, bem como as forças climáticas do El Niño. Segundo estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra agrícola pode crescer 1,3% em comparação com o recorde anterior, com a produção projetada para atingir 366,6 milhões de toneladas. A soja deve encabeçar essa tendência, com um aumento moderado de 0,7%, enquanto o milho promete avanços mais expressivos, chegando a 148 milhões de toneladas, 2,8% acima da safra anterior. Apesar dessas perspectivas favoráveis, uma série de fatores externos coloca em xeque a realização desse potencial agrícola. Os conflitos globais têm gerado instabilidade nos mercados internacionais de fertilizantes e combustíveis, levando a um aumento do custo e da complexidade das compras desses insumos. A dependência brasileira desses produtos é particularmente sensível: o país importa quase 85% dos fertilizantes que utiliza, com 20% vindo de fontes externas, especialmente a Rússia. A Petrobras, por sua vez, responde pela maior parte do abastecimento de combustíveis no mercado doméstico, mas ainda depende de importações para suprir entre 25% e 30% das suas necessidades. Essa situação cria um ciclo vicioso, onde as flutuações dos preços internacionais de petróleo e fertilizantes são transferidas diretamente para os consumidores brasileiros. Como resultado, a agricultura nacional enfrenta uma pressão adicional sobre custos que pode ameaçar a rentabilidade das operações agrícolas.

Fonte: Valor Econômico