Vitória de Lula provoca liquidação de ativos brasileiros no exterior e aciona alerta na bolsa

A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva causou uma forte liquidação de ativos brasileiros no exterior e sinaliza perdas expressivas na bolsa local, com risco de acionamento do 'circuit breaker'. A surpresa eleitoral rebaixou as recomendações para o real e os juros locais, com expectativa de disparada do dólar e dos juros futuros.

O que aconteceu

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais desencadeou uma liquidação de ativos brasileiros no exterior na noite de domingo, que se intensificou na manhã de segunda-feira. Recibos de ações de empresas brasileiras (ADRs) e o EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, registraram quedas acentuadas. O resultado eleitoral, com 51,79% dos votos para Lula contra 48,2% para o senador Flávio Bolsonaro, contrariou as expectativas de muitos analistas e bancos que apostavam na alternância de poder para a implementação de reformas fiscais significativas.

Por que importa

O resultado eleitoral impõe um revés às expectativas de reformas expressivas na política fiscal, que eram precificadas pelo mercado. A ausência de uma perspectiva clara de mudanças significativas na política econômica, em linha com as apostas anteriores, gera incerteza e leva investidores a reavaliar suas posições em ativos brasileiros. A surpresa nas urnas pode levar a um período de maior volatilidade e ajuste nas avaliações dos ativos.

Impacto nos mercados

  • Juros e títulos: A expectativa é de disparada dos juros futuros, refletindo a maior percepção de risco e a incerteza sobre a condução da política econômica.
  • Dólar e câmbio: O dólar tende a se valorizar frente ao real, em movimento de fuga de investidores de ativos de maior risco.
  • Bolsas: Há um risco elevado de acionamento do “circuit breaker” na bolsa brasileira (Ibovespa), mecanismo que interrompe as negociações após quedas expressivas. O J.P. Morgan espera que as perdas acionem o mecanismo, que paralisa o mercado por 30 minutos a cada 10% de queda, podendo chegar a uma hora se o recuo atingir 15% e suspender o pregão por um dia se a queda for de 20%.
  • Commodities: Não há informações específicas na notícia sobre o impacto em commodities.
  • Cripto: Não há informações específicas na notícia sobre o impacto em criptomoedas.
  • Brasil: A direção provável é de forte pressão vendedora sobre os ativos locais, com desvalorização do real, alta dos juros e queda expressiva na bolsa. O J.P. Morgan rebaixou suas recomendações para o real e os juros locais de “overweight” para “marketweight”.

O que acompanhar

Os próximos dias serão cruciais para observar a reação do mercado após o choque inicial. A estabilização dos preços e a eventual recuperação de parte das perdas dependerão da clareza que o novo governo trará sobre sua política econômica e das reações dos investidores à precificação de risco. O desmonte de posições em opções de compra (“calls”) montadas após o primeiro turno pode ter amplificado as perdas iniciais.

Cenários

Cenário base: Volatilidade elevada e ajuste nos ativos brasileiros, com pressão sobre o real e os juros. Cenário de risco: Persistência da aversão ao risco e aprofundamento das perdas, caso não haja sinais claros de moderação na política econômica.

Fonte original: Valor Econômico. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Fonte: Valor Econômico